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Sérgio Machado confirma que precisava dar propina para ser presidente da Transpetro
Cearense disse que não se importava com qual empresa ganharia as licitações, já que qualquer uma teria que pagá-lo. Ele afirmou que o percentual era de até 4% em cima do valor do contrato

Cearense Sérgio Machado

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O ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, enrolado na Lava Jato, confirmou ao juiz Sergio Moro, em Curutiba, que, para se manter no cargo, a regra vigente era distribuir propina aos políticos responsáveis por sua nomeação. O cearense abriu o bico na segunda-feira (5).

A propina que arrecadou foi direcionada, em especial, segundo ele, à bancada de senadores do MDB. Sergio Machado foi ouvido como testemunha na ação penal que investiga esquema de corrupção envolvendo contratos da Transpetro.

De acordo com a denúncia do Ministério Público Federal,  Machado era responsável por cobrar propina de empresas que fechavam contratos com a estatal. Em seguida, repassaria os valores ao PT.

Entenda

Machado disse a Moro que os executivos não eram avaliados por seu desempenho, mas pela capacidade de atender às reivindicações dos políticos. Ele afirmou que tinha conhecimento de que o diretor financeiro da Transpetro era mantido pelo partido do prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (PRB).

O ex-presidente da estatal relatou que as empresas sabiam que ele só permaneceria na presidência caso atendesse aos políticos que sustentavam seu cargo. As companhias, segundo Machado, tinham medo de perder a boa relação com a Transpetro se ele deixasse sua posição.

Em tempo

O cearense disse que não se importava com qual empresa ganharia as licitações, já que qualquer uma teria que pagá-lo. Ele afirmou que o percentual era de até 4% em cima do valor do contrato.

Segundo Machado, a propina era paga ou por doação oficial ou em espécie. No segundo caso, eram criados dois codinomes— um de quem iria pagar e outro de quem iria receber.

Com informações da Folha de S. Paulo