Sete dias da semana sem medo da notícia

Homenagem a Gledson Serafim pelo jornalista Cláudio Teran
O radialista morreu na manhã desta quarta-feira em decorrência de um AVC

Gledson Serafim

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Um Acidente Vascular Cerebral (AVC) tirou da vida nesta manhã (11.07) o radialista Gledson Serafim.

Ele tinha 70 anos, e faz um bom tempo que lutava contra a debilidade física agravada por diversos problemas de saúde que o incomodavam.

“Vou resistir enquanto eu puder”, dizia ele entre amargo e sarcástico de sua cama hospitalar ou preso a uma cadeira de rodas.

Plantonista esportivo do tipo clássico, Gledson trabalhou em várias emissoras e se destacou nas jornadas esportivas pela precisão de suas informações durante e depois dos jogos.

Eu o conheci em 1985, quando fui contratado pela Rádio Verdes Mares AM. Ele acumulava as funções de Coordenador de Programação e Plantonista da equipe Gomes Farias.

Administrava num estilo intimidador, com sua voz que parecia um trovão, e frases e tiradas entre o amargo e o jocoso. E tinha o hábito de chamar a todos de “doutor”; “doutora”, e dependendo do estresse, “doutorzinho”.

Uma das que guardarei para sempre ele dirigia ao também já falecido Sarto Saboya, operador de áudio, que o detestava. E ele sabia:

– Saboya?

– Siiimmmm!!!

– É o Gledson, doutor.

– Eu sei. Diga (tom lúgubre).

– Avisa a reborréia aí da emissora que dentro de alguns instantes estarei presente para coordenar escrotamente.

E batia o telefone sem esperar que Saboya, irado lhe respondesse em seguida.

Desenvolvemos um bom convívio no Rádio, e nos reencontramos quando fui para o sistema O Povo, onde ele estava desde o tempo em que foi demitido da Verdinha.

Ele me saudou quando cheguei e disse: “bem-vindo, Cláudio Teran, estou partindo em férias que o Dr. Demócrito me deu. Já sei que serão férias eternas”, falou, antes de soltar uma gargalhada antevendo mais um caso de demissão no Rádio.

Depois daí nos falávamos pela internet, uma ou outra vez ao telefone: “Tô te ouvindo, você é bom doutor”. Não me recordo a última ocasião em que nos avistamos pessoalmente.

Vou guardar dele essas coisas, as risadas que seus atos, gestos e falas acabavam gerando, e as muitas raivas que ele fez a outros tantos colegas de batente, como “coordenador escroto”.

Siga em paz, Serafa…