Sete dias da semana sem medo da notícia

Exposição mostra fragmentos da história da imprensa cearense
Visitações são gratuitas e prosseguem até 30 de junho

Representação do Plebeu Gabinete de Leitura, cujo acervo foi doado à ACI pela pesquisadora Adelaide Gonçalves

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A exposição “Casa do jornalista: fragmentos de uma imprensa citadina” está em cartaz no Centro Cultural Banco do Nordeste (CCBNB Fortaleza), de terça-feira a sábado, no horário de nesta 10 às 19 horas. As visitações são gratuitas e prosseguem até 30 de junho.

Com curadoria do jornalista e historiador Nilton Melo Almeida e da crítica de arte Jacqueline Medeiros, a exposição mostra extratos do acervo da Associação Cearense de Imprensa (ACI), fazendo conexões com fases da história da imprensa cearense e brasileira e com outros acervos e arquivos particulares. A exposição também visa dar relevância à trajetória de noventa e dois anos de uma das mais antigas e respeitadas instituições do Ceará.

A mostra é composta, por exemplo, por objetos, fotografias e fichas de filiação à Instituição como elementos iconográficos que apresentam redatores, repórteres, editores, locutores, colaboradores, linotipistas, revisores, impressores, gazeteiros, locutores e fotógrafos, que trabalharam ou ainda exercem atividade na imprensa cearense. Há registros de simples trabalhadores assalariados a intelectuais, religiosos, jornalistas de renome na cidade e a personalidades do mundo oficial.

Por essas fichas, observa-se como Fortaleza tinha muitos jornais e de orientações diversas (partidária, religiosa, sindical, libertária). Muitos deles desapareceram, como é o caso de O Democrata, no qual trabalhou Jáder de Carvalho. Jornais com volumes encadernados dos principais veículos integrantes do acervo, a exemplo de O Cearense, dão ideia da transformação que encolheu para três os jornais da chamada grande imprensa em Fortaleza.

Estão expostos livros especializados, dissertações e teses sobre jornalismo e comunicação, realçando a preocupação de pesquisadores e escritores sobre a temática imprensa e jornalismo. Uma forma de demonstrar o impacto da atividade na sociedade local.

Espaços especiais apresentam o Plebeu Gabinete de Leitura, cujo acervo bibliográfico, um dos mais ricos da cidade, foi recentemente incorporado à biblioteca da ACI, por doação da professora, historiadora e pesquisadora Adelaide Gonçalves; e a representação de uma pequena redação do final dos anos 1970, quando a máquina de datilografia ainda imperava, e os computadores pareciam distantes. Mas eles chegaram, extinguindo alguns ofícios, como o de paginador e o de copidesque.

Três artistas promovem um diálogo entre arte, imprensa, jornal e fato jornalístico: Sérvulo Esmeraldo, com a fotografia de Gentil Barreira da escultura (Sem título, 1978) exposta nos jardins do jornal O Povo, Cildo Meireles, com “Inserções em circuitos ideológicos: projeto cédula (1975), que se destacou pelo trabalho em carimbo em notas de um cruzeiro, com a mensagem “Quem matou Herzog?” (Vladimir Herzog, jornalista), e Bruno Faria, com “Estudo para Recife, há 25 anos atrás” (2008), realizada a partir de coluna de um jornal de Recife, pertencente ao acervo de arte do BNB.

Da Coleção Oswaldo Araújo, formada por primeiras edições de revistas e jornais, estão exibidos alguns exemplares mais relevantes para a história da imprensa local.