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Entenda como o Estado do Ceará é um dos mais prejudicados com o aumento do dólar
Governos que vinham controlando melhor suas contas terão endividamento maior com crescimento da moeda norte americana


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A alta do dólar nas últimas semanas pode ser uma dor de cabeça para alguns estados que vinham controlando as contas. De acordo com números divulgados nesta quarta-feira (16) na Folha de S. Paulo, desde janeiro o endividamento externo dos estados cresceu R$ 15,1 bilhões, saindo de R$ 97 bilhões e atingindo R$ 112,1 bilhões, segundo estimativas feitas bom base em dados do Banco Central e no comportamento do dólar.

O levantamento sobre o endividamento dos estados foi feito por Vilma da Conceição Pinto, pesquisadora do Ibre da Fundação Getulio Vargas, a pedido da Folha, com base em dados do Tesouro.

Os dados mostram que a pressão do câmbio não atinge de maneira uniforme todos os estados. De um lado, acerta em cheio justamente os governo que vinham controlando melhor suas contas. De outro, acrescenta desvios a quem já está no vermelho, informa a publicação.

Os mais prejudicados

O estado mais comprometido é o Amazonas, que entre 2016 e 2017 ampliou a busca por recursos estrangeiros. Hoje, metade da dívida consolidada de R$ 6,2 bilhões está em moeda estrangeira – a maior parte, em dólar.

Completam o grupo dos mais comprometidos com o câmbio: Ceará, Pernambuco, Piauí e Acre – todos com dívida externa acima de 40% da dívida total. “Os números mostram que os estados mais expostos às flutuações da moeda estrangeira são aqueles com baixo endividamento. Esse é o grupo que está vendo a dívida aumentar”, afirma a pesquisadora Vilma Pinto.

Segundo ela, o endividamento total deles pode até ser pequeno, mas, como a parcela em moeda estrangeira é expressiva, a alta do dólar vai pesar na conta

A situação do Ceará

A pesquisadora destaca o caso do Ceará, que tem R$ 5,8 bilhões em dívidas em moeda estrangeira – valor que parece pequeno diante dos quase R$ 20 bilhões de São Paulo. Mas, no Ceará, a parcela em moeda estrangeira representa 49% da dívida total. E em São Paulo, não chega a 7%.