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Ceará é o quarto estado do Brasil com maiores índices de policiais assassinados
A maioria dos assassinatos ocorre quando o policial reage ao ataque de assaltantes, estando de folga ou realizando atividade de segurança particular para complementar a sua renda familiar. Os baixíssimo salários os obrigam a fazer "bico"

Somente no ano passado, 385 policiais foram assassinados no Brasil, sendo 25 deles no Ceará

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O Ceará é o quarto estado brasileiro com maior número de policiais assassinados no País. No ano passado, 26 agentes da Segurança Pública foram mortos, a maioria, ao reagir a assaltos. Neste ranking, o Ceará é superado somente pelo Rio de Janeiro (119 casos), São Paulo (60) e Pará (29). Pernambuco fica em quinto lugar (24).  Em 2017, 385 policiais se tornaram vítimas de homicídios no Brasil.

A alta taxa de mortalidade entre os agentes da Segurança Pública do Ceará e explicada pelos baixos salários que eles recebem. Com vencimentos que impossibilitam terem uma vida digna, a maioria dos policiais, e especialmente os militares de patentes mais baixas na carreira (soldados, cabos e sargentos), são obrigados a ter uma renda extra além de seus soldos e, em geral, eles trabalham fazendo segurança particular, o chamado “bico”.

Mercadinhos, restaurantes, lojas, supermercados, padarias, academias de ginástica e outros estabelecimentos, contratam policiais da Ativa ou da Reserva, para atuarem como seguranças e  esta atividade acaba se transformando no maior vilão da estatística que aponta a morte de policias.

Trabalhando à paisana, em seus horários de folga, os policiais acabam também se transformando em alvos constantes dos ataques de ladrões. No momento em que exercem a atividade complementar, necessária para o complemento da renda da família, eles acabam trocando tiros com assaltantes. Assim, a maioria absoluta dos assassinatos de policiais no Ceará, à exemplo de muitos estados brasileiros, ocorre quando os agentes estão de folga e “bico”, ou “zigue”. Em serviço, eles também correm muitos riscos, mas a letalidade, comprovadamente, é bem menor.

Vejam alguns dos casos de policiais mortos no Ceará no ano passado:

(19.04) – PAULO CÉSAR SILVA, 48 anos, casado, 1º sargento da Ativa da PM, destacado na 5ª Companhia do 1º BPCom (Cristo Redentor/Fortaleza), morto, a tiros, por assaltantes na Rua Maceió, no bairro Henrique Jorge, em um crime de latrocínio.

(23.05) – ANTÔNIO TIAGO NOGUEIRA LIMA, 33 anos, soldado da Ativa da PM, faleceu após um mês internado no IJF-Centro em decorrência de ter sido ferido, a tiros, durante uma tentativa de assalto. O caso ocorreu no dia 24 de abril em uma clínica médica particular localizada na Rua Angélica Gurgel, em Messejana. Quatro bandidos, com fardas escolares, foram presos em flagrante.

(03.05) – FRANCISCO GLEDSON MATIAS, soldado da Ativa da PM, 37 anos, casado, destacado na 2ª Companhia do 7º BPM (Crateús), mas lotado no Destacamento de Ipueiras. Ele  foi baleado e morto por um assaltante na porta de sua residência, na Rua Esperança, bairro Elleri, em Fortaleza.

(12/08) – HERBERT HÉLIO FERREIRA LIMA, 38 anos, 3º sargento da Ativa da PM, destacado na Companhia de Baturité, assaltado e morto a tiros por dois bandidos na Rua D, do Parque Dois Irmãos, em Fortaleza. Bandidos levaram a arma da vítima (LATROCÍNIO).

(25/08) – EDEVALDO JOSÉ SANTANA FLEXA – Sargento da Polícia Militar, destacado na Ciopaer,  morto com um tiro no peito ao reagir a uma tentativa de assalto no bairro Guararapes (LATROCÍNIO).

(10/09) – LUIZ LOURENÇO DA SILVA – 3º Sargento da PM, da Reserva Remunerada (RR), morto ao reagir a uma assalto e trocar tiros com bandidos no cruzamento das ruas Livino de Carvalho e Almirante Rubim, no bairro Montese, em Fortaleza. Um dos bandidos foi morto e outro preso em flagrante com a arma do crime (LATROCÍNIO).

(14/09) – LUCIANO FÉLIX DA SILVA – Sargento da Ativa da PM, 55 anos, faleceu no dia 14 de setembro após 10 dias internado em decorrência de pauladas sofridas durante uma tentativa de assalto no bairro Aerolândia. Na ocasião, estava de folga. (LATROCÍNIO)